#8 Nem sempre é sobre Ego
Nem sempre é sobre ego. Nem sempre é sobre vender. Às vezes é só sobre pensar em voz alta
Muita gente acha que quem escreve, fala ou compartilha algo faz isso por ego ou para vender alguma coisa. E às vezes é isso mesmo. Mas nem sempre.
Eu escrevo porque aprendo mais quando escrevo. Colocar as ideias no papel me obriga a organizar o pensamento. Percebo o que faz sentido, o que é confuso, o que eu realmente acredito. É um processo de clareza, não de exibição.
Muita gente fala em “ensinar” na internet, mas quem escreve com frequência sabe que aprende mais do que ensina. Quando você tenta explicar algo, acaba descobrindo o quanto ainda não sabe. E isso vale para tudo: mercado, negócios, investimentos, comportamento.
Também escrevo porque aprendi muito lendo o que outros compartilharam. Muita coisa que sei hoje veio de pessoas que se deram ao trabalho de registrar o que sabiam.
Artigos, posts, erros expostos, experiências sinceras. Se isso me ajudou, faz sentido devolver um pouco. É um ciclo.
Mas tem algo que sempre me incomoda, as pessoas quase nunca leem para entender,
elas leem para achar algo que possam rebater. Nem terminam o texto e já estão comentando para contradizer. Discutem pontos que nem estão ali, só para provar que discordam. Pouca escuta, muita reação.
E quando o tema é conteúdo pago, o papo é sempre o mesmo:
“Lá vem os vendedores de curso.”
“Mais uma comunidade paga.”
“Outro tentando monetizar o que aprendeu.”
E aí eu pergunto: qual o problema?
Se alguém tem experiência real, estudou, errou, testou e tem algo a ensinar, por que não vender o próprio tempo? Desde quando compartilhar conhecimento e cobrar por isso virou algo errado? Ninguém é obrigado a comprar nada, quem não quer, não compra. Mas criticar quem cobra é basicamente dizer que o trabalho intelectual não tem valor.
O ponto é simples.
Nem tudo precisa ter uma segunda intenção.
Nem tudo é manipulação de ego, marketing ou venda disfarçada.
Às vezes a pessoa só quer organizar as próprias ideias e deixar o registro público.
Às vezes o simples ato de escrever já é o aprendizado.
Eu, ainda, continuo escrevendo porque me ajuda a pensar melhor, a enxergar o que está claro e o que ainda está nebuloso. E se no meio disso alguém se identifica, ótimo. Mas mesmo que ninguém leia, o exercício já valeu.
Nem sempre é sobre ego.
Nem sempre é sobre vender.
Às vezes é só sobre aprender e compartilhar o processo sem precisar justificar nada.
Agora, pensa:
Você escreve para mostrar o que sabe ou para entender o que pensa?
Você consome conteúdo para aprender ou para procurar algo que possa discordar?
E se compartilhar o que você aprendeu fosse justamente o que falta para aprender de verdade?
Abraço do Lontra!
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